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No dia 7 de setembro de 2003, o pesqueiro Chile II naufragou no litoral de Santa Catarina, mas todos os tripulantes foram salvos, graças a um detalhe: havia um comunicador Epirb (em inglês, Emergency Position Indicating Radio Beacon) a bordo e ele guiou direitinho as equipes de resgate até os náufragos. Três horas após o acidente, as equipes de busca já estavam atrás deles.
Epirb, em bom marinheirês, quer dizer algo como “radiobalizador indicador de posição de emergência”. Trocando em miúdos, trata-se de um rádio que emite um sinal digital de socorro para um satélite na freqüência 406 MHz, e outro analógico, pela faixa 121,5 Mhz, este para ajuda local ao resgate. Do sinal, constam informações Como nome do barco, do proprietário, porto de registro, endereços e telefones para emergência, além da própria localização do barco em si, é claro. Na prática, o satélite localiza a posição do sinal e a retransmite para as estações locais, que ficam espalhadas pelo mundo inteiro. No Brasil, há três delas, mantidas pelo Ministério da Aeronáutica, em Brasília, Manaus e Recife. Dali, as informações são incrementadas com outras, apurando a localização geográfica do acidente. Tudo, então, é repassado ao Centro de Coordenação de Salvamento mais próximo, que organiza os grupos de busca, com aviões e helicópteros. Este serviço faz parte do Sistema Global de Socorro e Segurança Marítima e — eis aqui outra boa notícia! — é gratuito. Agora, a má — mas só para o seu bolso: a partir de agora, a Marinha Brasileira exige que todas as embarcações que navegam a mais de 20 milhas da costa, não importando se de trabalho ou de lazer, tenham um Epirb a bordo. Quem for pego fora destes limites sem tal equipamento poderá ser multado e forçado a retornar ao porto. E mais: os dados do Epirb precisam estar atualizados, caso contrário, o socorro pode demorar mais que o normal.
Antigamente, o sinal do Epirb era emitido somente pela 121,5 MHz, mas cobria só dois terços do globo, o raio da área de busca era cinco vezes maior e a notificação demorava uma hora para ser feita (hoje demora apenas quatro minutos). Por isso, deverá ser extinto em 2009 e, quem tiver o aparelho antigo, deverá trocar pelo de 406 MHz.
O grande beneficiário será você mesmo, mas como qualquer outro equipamento de salvatagem, o preço dos Epirbs é um tanto salgado, embora varie muito de modelo para modelo. Os mais simples, de acionamento manual, custam cerca de US$ 1 500. Os mais caros, com GPS interno e acionamento automático (que emite o sinal ao entrar em contato com a água, por exemplo) saem pelo dobro: US$ 3 000, dependendo da marca. O custo maior dos últimos, no entanto, compensa. Com o GPS integrado, os dados sobre a localização do barco são muito mais precisos. Enquanto que o raio da área indicada pelos Epirbs comuns é de dois a cinco quilômetros, o do Globalfix (com GPS), reduz os erros a praticamente zero, já que atualiza as coordenadas a cada 20 minutos. Todos os aparelhos têm bateria com 48 horas de vida, o que significa que o seu sinal será emitido ininterruptamente durante dois dias. Em caso de acidente, ligue-o e agarre-se a ele. Depois, é só esperar pelo socorro.
Não basta comprar. Tem que registrar
Ao comprar um Epirb,peça para a loja registrar seus dados completos no equipamento,porque, sem eles,o serviço de resgate ficará mais lento e complicado — ou seja, não adiantará nada.Depois, envie o formulário de registro de balizas 406 MHz devidamente preenchido para a BRMCC COSPAS-SARSAT, por fax (61/3365-2964), correio (SHIS QI 05, Área Especial 12, Lago Sul,Cep: 71615-600, Brasília, DF), e-mail (brmcc@cindacta1.aer.mil.br), ou via despachante.O registro é gratuito.
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